AS ALMAS GÊMEAS OU METADES ETERNAS

terça-feira, junho 12, 2012 Posted In , , Edit This 0 Comments »
Como surgiu a ideia de Almas-Gêmeas?


   O conceito de alma-gêmea ou metades eternas tem a sua origem em um diálogo de Platão, intitulado O Banquete . O termo grego com que se designaria o fato de um ser ter,ao mesmo tempo, duas natureza sexuais é androginia ou hermafroditismo. A primeira palavra é formada por dois radicais gregos: andros, que significa homem e ginecon, que quer dizer mulher. A segunda resulta da associação de dois termos tampém gregos : Hermes e Afrodite.   O mito dos andróginos contado por Platão, em linhas gerais, é o seguinte : em tempos imemoriais ( tempos míticos ) os homens que viviam sobre a terra possuíam dupla sexualidade, sendo, a um só tempos masculinos e femininos. Esses homens eram ousados, tão ousados que chegaram a desafiar os deuses imortais. Os deuses, assustados com a possibilidade de um ataque humano à morada dos deuses no Monte Olimpo reuniram-se em assembléia para discutir como anular a ameaça humana. Depois de muitos e acalorados debates, chegaram à conclusão de que , como legítima defesa de suas prerrogativas, só havia uma coisa a fazer: separar os humanos, pois era a sua dupla natureza que os fazia fortes.Por certo separados seriam muito mais fracos e não pensariam mais em ameaçar os deuses.   Assim resolvido, os deuses vieram à terra e cortaram, no meio certo, os andróginos deixando o umbigo como a marca da ousadia deles. O plano divino deu resultado porque os homens separados passaram, desesperadamente, a procurar as suas metades e, não as encontrando, ficaram infelizes e nada melhor para enfraquecer alguém do que a infelicidade. Mutilados, incompletos, sofridos, buscando sempre a metade perdida e,quase sempre, equivocando-se neste busca, o homem vive o drama da incompletude,deixando, assim, de ser uma ameaça para os imortais.   Esta questão passou a ser discutida no meio espírita depois que Emmanuel , em seu romance Há Dois Mil Anos,psicografado por Francisco Cândido Xavier trouxe esta questão à baila com o nome de Alma-gêmea. No romance, a personagem Lívia,esposa do protagonista seria a sua alma - gêmea. A discussão não chegou,felizmente, a ser um problema sério que pudesse causar divisões no meio espírita. Houve apenas pessoas que não concordavam que pudessem haver espíritos que completasse um ao outro a ponto de serem almas- gêmeas. O que Allan Kardec tem a nos dizer sobre esta questão?   A resposta se encontra no volume I da Revista Espírita do seguinte modo : Um homem viveu com sua esposa por muitos anos e, depois da desencarnação desta, conseguiu um contato mediúnico com ela. Nessa oportunidade, ele lhe perguntou se ela era a sua metade eterna. A mulher respondeu que não e que o espírito com que ele possuía maior afinidade estava encarnado na terra, vivendo, no Oriente, duras experiências.   O homem ficou muito abalado com o que ouvira porque, certamente, não estava esperando uma resposta como aquela uma vez que, enquanto viveram casados na terra, se amavam e se respeitavam. Assim, escreveu para Allan Kardec,pedindo esclarecimentos sobre a questão. Kardec responde ao missivista na Revista Espírita depois de ter consultado o Espírito que, na terra foi o Rei da França e canonizado como São Luiz e os espíritos Abelardo e Heloísa, casal conhecido por sua tragédia amorosa.   A resposta dos espíritos consultados a respeito da existência de almas-gêmeas foi negativa. Firmaram eles que os espíritos são criados individualmente e não aos pares. Falam, porém, em simpatias e afinidades que pode haver entre os espíritos, estreitando entre eles laços amorosos.           Assim a expressão alma-gêmea deveria ser entendida como um figura de linguagem, uma metáfora que expressaria mais fortemente uma relação entre espíritos com grande afinidade.   A proposta de Jesus é que amemos uns aos outros como a nós mesmos,que repartamos igualmente nosso amor uns com os outros e a teoria das almas gêmeas possui um caráter demasiadamente exclusivista e,sendo assim, não seria adequada para quem acredita na promessa do Cristo de que, um dia,haverá um só rebanho e um só pastor.



Por José Carlos Leal

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